Notificação federal para zika vírus deve mudar

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BRASÍLIA. O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, afirmou que a pasta deverá analisar nos próximos dias os dados sobre zika coletados nos chamados laboratórios sentinela e, a partir daí, uma decisão será adotada sobre o formato de notificação da doença.

“Considero promissora a ideia de adotarmos um modelo híbrido, que amplie o número de laboratórios que fazem as coletas, mas que não seja universal, como o que está sendo feito em Pernambuco e Bahia”, afirmou.

Como não há um kit de diagnóstico que consiga identificar a presença de anticorpos de zika no sangue, o acompanhamento da infecção é feito por meio de centros avançados de pesquisa. Unidades de atendimento escolhidas pelo ministério ficam encarregadas de acompanhar o número de casos atendidos e fazer exames em parte dos pacientes para serem enviados para análise de especialistas.

Os dados são analisados por amostras e depois projetados para toda população. A ideia de Maierovitch é ampliar esse número de espaços de coleta, para que essa amostra seja ainda maior.

Ele reconheceu ser “tentador” partir para um formato de notificação compulsória, em que todos os casos suspeitos são notificados, desde que a presença do vírus seja comprovada na região. Esse é o modelo usado, por exemplo, para dengue e chikungunya, doenças transmitidas pelo mesmo vetor do zika vírus, o Aedes aegypti.

“Mas no caso da zika, em que 80% dos casos são assintomáticos e as queixas apresentadas pelos pacientes podem ser confundidas com outras doenças, essa avaliação pode ser questionável. Fica a impressão que podemos estar sempre enxergando apenas a ponta do iceberg”, completou. Ainda em análise. A definição, que será tomada nos próximos dias, deverá analisar tanto os dados coletados nos centros sentinela quanto a experiência de Pernambuco e Bahia, que já adotaram a notificação universal.

Casos “importados”. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de São Paulo confirmou três casos importados de zika vírus, neste ano, na cidade. Desses, um caso é de um paciente procedente da Bahia e os outros dois com históricos de viagens para áreas de riscos. Até o momento, nenhum caso autóctone (quando a doença é contraída no município) de vírus foi registrado na capital.

Com relação aos casos de microcefalia associada à infecção pelo zika, foram notificados quatro casos suspeitos e outros seis estão sendo investigados.

Caso na Bolívia

Vírus se espalha. Autoridades da Bolívia confirmaram nesta quarta o primeiro caso positivo de zika, registrado no departamento de Santa Cruz, numa mulher procedente do Brasil que encontra-se em situação estável.

Rio já registra 121 casos de malformação

Rio de Janeiro. A Superintendência de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde do Rio divulgou, nesta quarta, que apenas nos primeiros cinco dias de 2016 foram registrados 121 casos de microcefalia no Estado. Desses, 102 são de bebês já nascidos e os outros 19 são de bebês que ainda estão no útero materno.

Quarenta e três mulheres relataram histórico de manchas vermelhas pelo corpo ao longo da gravidez (exantema), o que é indicativo de que foram infectadas pelo zika vírus, relacionado à microcefalia. Dados do Ministério da Saúde divulgados nesta terça dão conta de 118 casos em todo o Estado, em 20 municípios (dos 92 do Rio) afetados.

Equipe que combateu ebola na África chega para ajudar o país

São Paulo. Os primeiros quatro integrantes de uma equipe de cinco pesquisadores do Instituto Pasteur de Dakar, no Senegal, que participaram ativamente do combate à epidemia de ebola na África, desembarcaram nesta terça em São Paulo para ajudar cientistas brasileiros a lidar com o zika vírus.

O chefe da equipe, Amadou Alpha Sall, um renomado especialista em pesquisa e controle de epidemias virais, deve chegar nesta quinta. Eles vão se juntar à rede de pesquisadores paulistas que foi formada em caráter emergencial para responder à epidemia de zika, que vem se alastrando pelo país e é apontada como responsável pelo aumento explosivo no número de casos de microcefalia em bebês.

A rede é coordenada pelo pesquisador Paolo Zanotto, do (ICB) da Universidade de São Paulo, que já colabora com o instituto de Dakar há vários anos e recentemente publicou com Sall, mostrando adaptações genéticas do vírus zika para infectar humanos.

A previsão é que a equipe do Senegal passe pelo menos uma semana no ICB, trocando informações e treinando pesquisadores brasileiros em técnicas de isolamento e cultivo do vírus. “Os dias que o vírus zika era invisível estão contados”, disse Zanotto.

A grande dificuldade em responder à epidemia de zika é que muito pouco se sabe sobre o vírus, que praticamente não existia no país até o ano passado.

 

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