Estudantes ocupam escola para ‘defender vagas’ e cobrar recursos

04

A Escola Estadual Ricardo de Souza Cruz, no bairro Nova Esperança, na região Noroeste de Belo Horizonte, foi ocupada da noite dessa terça-feira (5) por alunos que não aceitam a possibilidade do uso do prédio e abertura de vagas para estudantes do Colégio Militar Tiradentes.

De acordo com Clauderson da Silva Santos, membro da União Brasileira de Estudantes Secundaristas, as matrículas para os filhos dos militares teriam começado ainda nessa terça.

“Os pais dos alunos do Colégio Tiradentes estão aparecendo para fazer matricula. Os representantes do colégio afirmaram que 40% das vagas serão destinadas ao colégio este ano”, explicou o jovem.

Além da protesto por causa das vagas, os manifestantes reclamam da estrutura do prédio e do lanche fornecido pela escola. Durante a ocupação da instituição, os alunos, que promoverão atividades culturais, como oficinais de cartazes e de teatro, batalha de MCs e abertura do cineclube.

“Só vamos sair quando a Secretária de Educação e governador Pimentel assinarem um documento garantindo recursos para escola. Precisamos acabar com esta falta de apoio”, garantiu o estudante do 1º ano do Ensino Médio da escola, Pablo Gabriel da Silva, de 17 anos.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) afirma que a instituição continuará atendendo os estudantes matriculados na unidade. A SEE, inclusive, já teria se reunido com representantes da direção da escola e lideranças comunitárias para conversarem sobre essa questão. Ainda conforme o comunicado, a secretaria confirma que está estudando a possibilidade de coabitação no espaço da escola com uma unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar.

Dessa forma, o funcionamento da Escola Estadual Professor Ricardo de Souza Cruz ficaria concentrado nos turnos da manhã e da noite, atendendo as séries iniciais do ensino fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Já na parte da tarde, o espaço seria usado pelo Colégio Tiradentes.

A mesma informação é confirmada pelo capitão Flávio Santiago, chefe da seção escolar de todos os Colégios Tiradentes. Segundo o militar, no período da tarde, há um número reduzido de alunos. Por esse motivo, os representantes do colégio e da Secretaria de Educação estudam a possibilidade de coabitação.

“De forma alguma estamos querendo tomar a escola da comunidade. O que queremos é a otimização do espaço. Além disso, com a chegada do Colégio Militar, a comunidade também ganha, uma vez que haverá um número maior de policiais na região”, explicou o capitão.

A SEE informou à reportagem de O TEMPO que acompanha a ocupação pacífica dos estudantes e está aberta ao diálogo para esclarecer os questionamentos diante das reivindicações da comunidade escolar.

Outras reivindicações

Em relação à reclamação da estrutura do prédio, a secretaria informa que duas obras estão em andamento, com recursos que totalizam R$ 240 mil e que foram liberados em 30 de junho de 2015.

Entre as intervenções estão obras de acessibilidade, com a reforma de rampas e instalação de banheiros para pessoas com deficiência, e também uma reforma geral que inclui pavimentação de pátios, revisão do telhado, rede de esgoto e outras melhorias.

Blog do cabo Júlio

No blog do deputado estadual Cabo Júlio, o político informou no dia 23 de dezembro sobre essa cessão do espaço da escola, antes mesmo da direção da instituição e da comunidade serem informados, conforme os alunos.

 

Seja o primeiro a comentar na pagina"Estudantes ocupam escola para ‘defender vagas’ e cobrar recursos"

Deixe sua mensagem

Seu endereço de email não será publicado .

*