Número de radares ‘pistola’ dobrará nas estradas de MG

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Entre os sinais usados por motoristas em estradas, piscar farol é o mais comum quando se quer alertar os que seguem na direção contrária sobre algum problema na pista. Só que esse “inconveniente” muitas vezes é um policial com o radar móvel pronto para multar os infratores em excesso de velocidade. A vantagem do modelo conhecido como “pistola” – por se assemelhar a uma arma – é que ele flagra os apressadinhos a 2 km de distância. A tecnologia tem tido uma avaliação tão positiva, com redução de ocorrências, que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) irá aumentar os equipamentos no país e dobrar o total de pistolas nas estradas mineiras neste fim de ano.

Em 2014, foram aplicadas 108 mil multas por excesso de velocidade nas estradas federais que cortam Minas, conforme a PRF-MG. De janeiro a outubro deste ano, foram flagrados 440 mil infratores – uma média de um veículo multado por minuto. O aumento de cerca de 300% se deve, em parte, ao incremento da fiscalização com as pistolas.

Por outro lado, de janeiro a outubro deste ano, o número de acidentes nas estradas federais de Minas caiu 30% em relação ao mesmo período do ano passado – foram 12.807 em 2015 contra 18.315 em 2014. Já a quantidade de vítimas fatais caiu 17,5%, passando de 972 naquele ano para 801 agora.

Equipamentos. Atualmente, são 130 pistolas no Brasil, mas o número chegará a 200, conforme o chefe da Divisão de Fiscalização da PRF nacional, Stênio Pires. “Eles serão distribuídos para os Estados conforme a necessidade. Em Minas, não temos o número fechado, mas com certeza vai dobrar a quantidade atual”, explicou. Nas estradas mineiras, 22 radares do tipo fiscalizam os condutores, e para as operações de Natal e réveillon já deve ter 40.

Mais de 70% das mortes em rodovias federais estão relacionadas ao excesso de velocidade, segundo Pires. “Por isso, a PRF intensificou muito a fiscalização com esse equipamento, que ajuda bastante por ser rápido e inteligente”, completou. E somente as multas, acreditam os especialistas, têm efeito (educativo) direto na redução da infrações e, consequentemente, dos acidentes.

As pistolas já operam no país, segundo o inspetor da PRF-MG Aristides Júnior, mas estão mais modernas. “A única forma de frear esse tipo de infração é com o radar. O aparelho fixo tem efeito só onde opera. Com o móvel podemos atuar em vários pontos. Quando eles começam a piscar farol, trocamos de lugar. Já teve condutor pego três vezes”, afirmou o inspetor.

Reta e pista dupla são campeãs

A fama da BR–381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Rio Doce, é a de que ela é a Rodovia da Morte. Mas é no sentido contrário da via, entre a capital mineira e São Paulo – onde ela é chamada de Fernão Dias, com pista dupla e privatizada – que o excesso de velocidade domina e causa mais mortes.

No trecho da Rodovia da Morte, que tem 324 km, foram 867 acidentes, 54 mortes e 786 feridos entre janeiro e junho deste ano. Na Fernão Dias, com 598 km, foram 1.828 ocorrências, 1.292 vítimas e 60 fatais.

“O excesso de velocidade ocorre mais em pistas duplas e trechos retos. A Rodovia da Morte ganhou esse fama por causa das curvas sinuosas. Mas o que mata nesse trecho é a ultrapassagem proibida com colisão frontal por ser pista simples”, explicou o inspetor da PRF Aristides Júnior.

Extenso. Minas tem a maior malha rodoviária do país, e sua posição geográfica faz com que concentre grande quantidade de acidentes, chamando a atenção dos órgãos federais. “A economia de Minas é muito forte, a frota de veículos de carga é grande pelo fato de o Estado ser um corredor. Toda carga que sai de São Paulo e vai para o Nordeste, e vice-versa, passa por Minas, assim como de Brasília para o Rio de Janeiro. E isso, aliado às pistas sinuosas, é uma combinação forte”, destacou Stênio Pires, chefe da divisão de Fiscalização da PRF nacional.

Durante a 2ª Conferência Global sobre Segurança no Trânsito, em Brasília, em novembro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, enfatizou que há um esforço em Minas para reduzir os acidentes. “Já detectamos pontos piores e desenvolvemos políticas para redução”, disse.

Em feriados prolongados, quando os radares pistola são utilizados em pontos estratégicos pela operação Rodovida, o número de colisões caiu 47% em Minas, agora, em 2015. “No país, nos nove primeiros meses deste ano, a redução foi de 1.100 mortes em comparação com o ano passado”, destacou Stênio Pires.

Saiba mais

Registros. No primeiro ano de uso intenso dos aparelhos tipo pistola pela PRF em Minas, de 2013 para 2014, as autuações por excesso de velocidade cresceram 60% – atingindo uma média de 17 registros por hora.

Pesada. Aliado ao reforço na tecnologia dos radares, o maior rigor aos infratores na legislação brasileira ajuda a prevenir os acidentes. As multas por ultrapassagem proibida passaram a custar
R$ 1.915 – até novembro do ano passado era R$ 191.

Redução. O Brasil sediou em novembro a 2ª Conferência Global sobre Segurança no Trânsito e reafirmou o compromisso, assumido há cinco anos, de, juntamente com vários países, reduzir pela metade as mortes no trânsito.

Estratégias. Como a meta ainda não foi alcançada – o país manteve-se estável de 2011 a 2015 no número de vítimas –, o desafio agora é criar estratégias para que esse objetivo internacional seja atingido até 2020.

 

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