Planalto teme maior instabilidade

05

Brasília. No Palácio do Planalto, a avaliação sobre a operação Catilinárias, que vasculhou a casa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é de que aumenta a instabilidade do governo. Além de Cunha, também foram alvos de mandados de busca e apreensão dois ministros da presidente Dilma Rousseff: Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Henrique Eduardo Alves (Turismo), que terão de se explicar.

Uma pessoa próxima a Dilma afirma que a operação é ruim para o governo porque “atinge no coração” o partido que é o principal aliado do governo e com o qual a presidente trava uma disputa. “Essa operação atinge o PMDB no coração, aumentando a instabilidade do governo. Eleva o grau de tensão”, diz a fonte.

A presidente partiu logo cedo para Congonhas (MG), onde inaugurou o Museu de Arte Barroca. No evento, Dilma não comentou sobre a operação, nem sobre outros fatos políticos. Falou apenas sobre o museu e sobre a tragédia na cidade de Mariana.

Na avaliação do comando do PT, a operação pode unificar os peemedebistas em torno do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os petistas temem que, alvos da operação, os peemedebistas venham a concluir que o impeachment, com a chegada de Michel Temer ao poder, seja a única maneira de proteger o PMDB.

A orientação dentro do governo é de cautela. Por isto, nota divulgada pelo Planalto afirma ainda que “todos os investigados têm o direito de apresentar suas defesas, dentro do processo do contraditório”. Finaliza dizendo que o governo espera que “este processo fortaleça as instituições brasileiras”.

Ministros admitem que a Lava Jato se tornou fato “imponderável” para o governo e que a presidente Dilma e sua equipe têm dificuldade para se blindar dos efeitos das investigações.

A avaliação é a de que, além de lidar com a crise política e econômica, o Planalto vai enfrentar agora o acirramento da disputa com o PMDB e será ainda mais fustigado por Cunha.

Além disso, o clima político piorou, sem que o governo tenha conseguido aprovar projetos importantes no Congresso, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a meta fiscal e medidas de ajuste ainda pendentes.

Ricardo Berzoini pede empenho para base votar as propostas

Brasília.  Na reunião com vários líderes e vice-líderes de partidos da base aliada, no Palácio do Planalto, o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, reconheceu que a nova operação da Polícia Federal “atrapalha” os planos do governo de votar medidas no Congresso.

Mas, mesmo assim, segundo parlamentares presentes ao encontro, Berzoini pediu “empenho” de todos para a votação de propostas consideradas fundamentais para o Planalto, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Plano Plurianual (PPA). Se essas propostas não forem votadas, o governo não pode fazer qualquer gasto no início do ano que vem.

Os parlamentares, neste momento, estão divididos em relação à intenção do governo em suspender o recesso parlamentar, que, teoricamente, começa na semana que vem.

Ministro vê esgotamento de Cunha

Brasília. O ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto (PT-RS), afirmou nesta terça que as buscas da Polícia Federal nas casas do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) reforçam a percepção de “esgotamento” dele à frente da Câmara dos Deputados.

“O Congresso Nacional, o Poder Judiciário e o Ministério Público têm que estar muito atentos a esses fatos e muito atentos à percepção da sociedade em relação ao esgotamento da representação do presidente da Câmara”, afirmou Rossetto, após participar de uma cerimônia com as centrais sindicais na sede do ministério, em Brasília.

Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” no último sábado, Rossetto classificou como “golpismo” a admissibilidade do processo de impeachment.

Seja o primeiro a comentar na pagina"Planalto teme maior instabilidade"

Deixe sua mensagem

Seu endereço de email não será publicado .

*