Táxis Premium contra o Uber

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Em resposta ao avanço do Uber e em mais uma demonstração de que deverá mesmo barrar o aplicativo na cidade, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) criou um novo tipo de táxi de luxo que irá circular em breve pelas ruas da capital: o da categoria Premium. Nesta quinta, a PBH publicou no “Diário Oficial do Município” (“DOM”) o Decreto 16.166, que modifica o sistema de táxis da cidade e amplia a frota para 7.500 veículos, uma vez que também abre licitação para novas 600 placas de pessoa jurídica.

A medida, que limita a 750 veículos o número de táxis Premium, também atende uma exigência do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para a autorização de novos carros para a capital. “Dissemos para o Uber: enquadre-se na regra. Nós estamos dando a inovação que vocês trouxeram (…). Nós não precisamos de vocês”, afirmou na noite desta quinta o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB).

O novo decreto não interfere na tramitação, na Câmara, do Projeto de Lei 1.797/2015, que proíbe o Uber na forma atual. “Isso (o táxi Premium) é para viabilizar o projeto. Foi combinado com os taxistas para que fosse criado algo similar ao Uber”, afirmou Lacerda. Apesar das especulações, o prefeito garantiu que os táxis Premium não terão tarifa mais cara que os comuns.

Segundo o líder do governo na Câmara, o vereador Preto (DEM), o decreto é resultado da comissão formada entre a BHTrans, vereadores e representantes de aplicativos. “O novo serviço terá um layout diferenciado. Permitirá a avaliação de viagens e de motoristas, o pagamento por cartão e oferecerá biometria”, afirmou o parlamentar. A autarquia informou que as características dos veículos Premium ainda serão definidas.

A criação da nova categoria ignora a existência dos táxis Especiais na capital, criada em 2011 para atender o público mais exigente, mas pela mesma tarifa dos comuns. O novo serviço poderá colocar fim aos atuais táxis pretos. O decreto publicado nesta quinta permite que 350 permissões, incluindo os atuais 74 carros do tipo Especial, migrem para a modalidade Premium.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir), Ricardo Faedda, a nova categoria foi criada em função da demanda. Contrariando o prefeito, ele não descartou a possibilidade de um preço mais alto. “Sobre o custo diferenciado, o sindicato pretende atuar para que o valor não seja tão significativo, mas que possa cobrir os custos dos veículos”. O decreto permite que os novos táxis adotem descontos, desde que autorizados pela BHTrans. Ele ainda diz que as atuais permissões para pessoas jurídicas permanecem em vigor até que se finalize a nova licitação.

Questionada sobre a possibilidade de os motoristas do Uber migrarem para o táxi Premium, a assessoria do aplicativo informou que seus parceiros não prestam serviço de táxi e, portanto, o Uber não tem qualquer relação com a nova categoria. “O serviço prestado pelos motoristas parceiros da Uber é de transporte individual privado, previsto na Política Nacional de Mobilidade Urbana”, disse em nota.

Frota

Aumento. O decreto 16.166 possibilita a expansão da frota de táxis de BH para 7.500 veículos, sendo 6.840 convencionais, 750 Premium e 60 acessível para pessoas com deficiência.

Usuários desconfiam de modelo

Usuários de táxis e do Uber ouvidos por O TEMPO reclamaram que os novos táxis Premium não deverão atender a demanda por um transporte diferenciado em Belo Horizonte. Os entraves, conforme eles, são principalmente a possibilidade de uma tarifa superior à dos táxis convencionais e a não garantia de um tratamento “mais educado” pelos taxistas, como ocorre no Uber.

Para a contadora Carmem Ramos, 27, a demanda é por uma tarifa menor juntamente com o tratamento diferenciado. “É uma medida paliativa, com o nítido objetivo de provocar certa contraposição à modalidade Uber e com propósito de extinguir a categoria. Não sou a favor dessa medida. Só serve de argumento para proibir o aplicativo”, disse.

Já a fonoaudióloga Lívia Rodrigues, 28, usuária do Uber, afirmou que não pagaria mais pelo táxi Premium. “O serviço que utilizo atualmente me atende. Talvez as opções de avaliação do motorista e de pagamento com cartão de crédito tenham sido colocadas em função da demanda dos usuários de táxis de luxo”, argumentou.

Outro usuário do Uber, o economista Pedro Henriques, 28, acredita que a grande vantagem do aplicativo é que ele mudou a forma como os usuários se movimentam pela cidade. “Hoje o Uber é um serviço melhor e mais barato que o táxi. O Premium vai ser o oposto, um serviço talvez um pouco melhor, mas mais caro do que o táxi, por ceder às pressões”, criticou.

Campanha. Na tentativa de barrar o Projeto de Lei (PL) 1.797/2015, que visa banir o Uber em Belo Horizonte, o aplicativo lançou uma campanha pedindo o apoio de usuários para encaminhar mensagens aos vereadores. Até nesta quinta, segundo a assessoria de imprensa do Uber, mais de 600 mil e-mails haviam sido enviados para os legisladores da capital.

Segundo o líder do governo na Câmara Municipal, vereador Preto (DEM), a campanha não fez efeito. “A maioria dos vereadores é contra o aplicativo”, afirmou. Porém, o vereador Pablo César (PSDB), o Pablito, adiantou a intenção de votar contra a proposta. “A população quer que o serviço seja regulamentado na capital”, disse.

São Paulo
Nova categoria.
Os táxis da capital paulista podem ter uma nova identidade visual na cor preta. A Prefeitura de São Paulo lançou a nova categoria para fazer frente ao Uber com veículos de alto padrão e prepara o início da operação de 5.000 novos veículos diferenciados.

Migração. Após o começo da nova categoria, todos os 33 mil carros da frota branca de São Paulo poderão migrar para o modelo diferenciado, desde que atendam as exigências, como corridas intermediadas por aplicativo de smartphone. O anúncio foi feito pelo secretário municipal de Transportes da capital paulista, Jilmar Tatto, nesta quinta. Porém, a expectativa é que uma parte dos automóveis brancos permaneça na frota porque já existe um “mercado consolidado” entre os passageiros.

 

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