Solidariedade dá o tom do feriado

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“O sentimento nos une”, disse Criolo, sob um nublado fim de tarde, após abrir os shows do festival Sou Minas Gerais, na Esplanada do Mineirão. Idealizado pelo rapper paulistano, o evento beneficente aconteceu ontem, no feriado de Nossa Senhora da Conceição, com o objetivo de arrecadar verba em prol das vítimas do rompimento da barragem da Samarco, mineradora do grupo Vale, em Mariana. Além de Criolo – cujo show contou com as honrosas participações de Emicida e Tulipa Ruiz –, um público jovem e solidário, de aproximadamente 12 mil pessoas, conferiu apresentações de Caetano Veloso e dos mineiros do Jota Quest (com direito a palhinha de Milton Nascimento).

Vestindo uma bata branca, com seu jeitão messiânico, Criolo subiu ao palco às 16h20, executando “Convoque Seu Buda”, faixa-título de seu último álbum, lançado em 2014. Acompanhado por uma entusiasmada plateia, o paulistano destilou outras canções do novo disco, como “Esquiva da Esgrima”, “Casa de Papelão”, “Pé de Breque” e “Duas de Cinco”, além de “Subirusdoistiozin”, “Grajauex”, “Linha de Frente” e “Bogotá”, de “Nó na Orelha” (2011).

Na metade do show, Criolo dividiu o microfone com a cantora paulistana Tulipa Ruiz. Juntos, os artistas cantaram “Só Sei Dançar Com Você”, grande sucesso de Tulipa, e “Cartão de Visita”, parceria dos dois, registrada em “Convoque Seu Buda”. A apresentação seguiu com a participação de Emicida, também de São Paulo, que cantou quatro canções de seu repertório.
“É fundamental que a gente se mantenha unido. O que os do lado de lá querem é a nossa desorganização”, bradou o rapper, que fechou o show com a emblemática “Casa”. O refrão da música, de seu recém-lançado “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa” (2015), diz: “O céu é meu pai / A terra, mamãe / O mundo inteiro é tipo a minha casa”. “Vamos cuidar do mundo como se ele fosse nosso, porque ele é”, disse Emicida.

Quando o show de Criolo acabou, um convidado inconveniente chegou: a chuva. Mas a aguaceira não desanimou o público, que buscou aconchego debaixo de uma área coberta para curtir o show do Jota Quest. O grupo mineiro abriu a apresentação com “Mandou Bem”, de seu mais novo álbum, “Funky Funky Boom Boom” (2013). Depois, vieram sucessos como “Na Moral”, “Dias Melhores”, “Mais Uma Vez”, “Encontrar Alguém” e “De Volta ao Planeta dos Macacos”, além de versões de “Que País é Esse”, da Legião Urbana, e “Tempos Modernos”, de Lulu Santos.

O show contou com as participações dos bateristas Tony Royster (norte-americano que toca com Beyoncé e Jay-Z) e João Barone (Paralamas do Sucesso) – além de Milton Nascimento, que deixou a plateia emocionada. Enrolado numa bandeira do Estado de Minas Gerais, Flausino convidou Bituca para subir ao palco e cantar as emblemáticas “Canção da América” e “Travessia”, do Clube da Esquina, e “O Sol”, hit do Jota Quest.

“Estamos muito felizes de estar aqui, ajudando de uma maneira, ainda que pequena, às famílias afetadas por esse desastre absurdo. Estar aqui hoje é uma fagulha de esperança”, disse o vocalista Rogério Flausino. “A gente que mora em Belo Horizonte sabe que vive rodeado de barreiras como essa que se rompeu. Ela é só uma entre centenas à nossa volta. A gente acabou de ver uma lama que andou mais de 700 quilômetros, matou o Rio Doce e chegou até o Oceano Atlântico. Qual o limite desse tipo de desastre?”, questionou.

Fechando o festival, Caetano Veloso destilou hinos da música brasileira, em voz e violão. O show, de pouco mais de uma hora, começou com “Luz do Sol” e contou com canções como “Um Índio”, “Você é Linda”, “Sampa”, “Desde Que o Samba é Samba” e “Tigresa”.

Em “Odeio”, o público puxou um alto “Odeio Cunha”, em referência ao presidente da Câmara dos Deputados. Caetano, que não falou sobre o desastre em Mariana durante a apresentação, cantou, ainda, pérolas como “Qualquer Coisa”, “Força Estranha” e “A Luz deTieta”, além das famosas “Leãozinho” e “Sozinho”.

Caê, então, chamou Milton novamente ao palco. Juntos, cantaram as canções “Peixe Vivo” e “Qualquer Maneira”. Puxados por Rogério Flausino e Criolo, todos os convidados uniram-se para fechar o dia de música e solidariedade com os clássicos “Para Lennon e McCartney” e “Maria Maria”.

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