Dilma não tem garantia dos votos necessários em Minas

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Dilma Rousseff não tem ainda garantias da bancada mineira na Câmara dos Deputados para escapar do impeachment. No conjunto da Câmara, a oposição precisa garantir dois terços dos votos para abrir o processo do impedimento. Proporcionalmente, 36 dos 53 deputados federais mineiros teriam que votar a favor da abertura da cassação. Em consulta realizada por O TEMPO, só nove se disseram conta o pedido. Outros 16 parlamentares são favoráveis ao processo e 16 disseram ainda não ter posição definida. Os outros 12 não quiseram responder.

A presidente só tem o apoio fiel dos seis petistas e dos dois representantes do PCdoB, além de Brunny, do PMB. O posicionamento dos mineiros em relação ao assunto mostra as dificuldades que Dilma irá enfrentar em relação ao PMDB e aos partidos que, em teoria, não estão na oposição, mas também não votam como base.

Neste momento em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ainda exerce influência sobre boa parte da Casa e o debate ainda é embrionário, a posição da maioria dos parlamentares é de cautela. Entre os 16 indecisos estão quatro dos sete peemedebistas. Os outros três representantes da legenda de Cunha não quiseram se manifestar. Weliton Prado (PMB), que há duas semanas deixou o PT brigado também está indeciso.

Já no grupo dos que já decidiram apoiar o impeachment estão os sete tucanos da bancada, além de nomes do PR, DEM, PSD, PP, PSB, PDT e Solidariedade.

De um lado, petistas garantem que o pedido será arquivado. “O pedido é um golpe de Cunha. Insatisfação com governo não é motivo para impeachment”, diz Adelmo Leão. “Vamos dialogar com a sociedade e com os deputados e mostrar que é golpe”, defende Reginaldo Lopes.

De outro, a oposição se mostra confiante. “Dilma não tem liderança, além de ter cometido o crime de responsabilidade. Já existe o componente jurídico e haverá a participação da sociedade”, diz Domingos Sávio (PSDB).

O secretário de Ciência e Tecnologia de Minas, Miguel Corrêa (PT), diz que pode se desligar do Estado para voltar à Câmara e ajudar a barrar o pedido, assim como Odair Cunha (PT), secretário de Governo. 

Oposição avalia que depende das ruas

A oposição considerou uma vitória a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de acatar o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff. Apesar do entusiasmo, os deputados federais mineiros reconhecem que alcançar os 342 votos necessários para abrir o processo será uma tarefa “nada fácil”. Para eles, o êxito em fazer com que os indecisos ou nomes da base se posicionem contra a petista está ligado diretamente à adesão da população nas ruas, diante do déficit numérico.

“Se houver participação da sociedade pressionando seus representantes, é possível. A população tem que cobrar dos deputados”, disse o presidente do PSDB em Minas, Domingos Sávio. Ele avalia que além da presença física nas ruas, a oposição irá trabalhar no chamamento virtual, muito usado no primeiro semestre. “Tem o comentário e as curtidas nas redes sociais”, afirma.

“Dependerá muito do ambiente na sociedade”, concorda Marcus Pestana (PSDB). Ele avalia que os manifestantes que saíram das ruas por não verem resultados irão retomar a agenda de protestos.
Do lado da base, a movimentação já começou. “Nossos movimentos sociais e a militância já estão se articulando para preparar manifestações de apoio à soberania do voto e da democracia. Não vai passar no plenário”, diz Jô Moraes (PCdoB).

Despreparo

Rito. Ao menos quatro deputados mineiros demonstraram não saber como é o rito do impeachment. Eles imaginavam que o processo já estava aberto e que já votariam pela cassação. 

 

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