Moradores têm medo até de abrir janela por conta de surto da febre maculosa: ‘Pânico total’

Amanda Dias/BHAZAmanda Dias/BHAZ
 “É um pesadelo que parece não ter fim”. Desde que houve a confirmação de casos de febre maculosa em Contagem, moradores do bairro Vila Boa Vista, na região do Nacional, vivem com medo. A infestação do carrapato-estrela, infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii, em um terreno de oito hectares já provocou a morte de quatro pessoas da mesma família.

A rua Primeiro de Maio está interditada pela Defesa Civil, que realiza o trabalho de calagem – jogar cal – no terreno. O local foi isolado num raio de um quilômetro. No terreno serão espalhados oito toneladas de cal para matar o transmissor da doença.

Em conversa com o BHAZ, moradores da região contaram que o medo passou a se tornar presença em um dos pontos mais tranquilos do bairro.

A frase que abre esta matéria é da auxiliar administrativo Edirene de Cássia Silva. Ela conta que tem dormido mal e que tem medo que o carrapato entre em sua casa. “Estamos vivendo com o receio de que mais pessoas sejam diagnosticadas com essa doença. Tenho medo de abrir a janela da minha casa para você ter ideia. Pânico total”.

Trator agrícola está sendo usado no terreno infestado para espalhar cal e matar o carrapato (Amanda Dias/BHAZ)

Há 44 anos morando no Vila Boa Vista, Paulo Sales, de 74 anos, se diz surpreso com tantos casos da doença. O aposentado tem feito exames de sangue desde o último sábado (1) e foi constatado que suas plaquetas estão baixas. “Agora estou melhor, só as plaquetas que não estão na quantidade recomendada, por isso a médica falou para eu continuar colhendo o sangue”.

Apesar do trabalho feito pela prefeitura de Contagem na região infestada, Paulo acredita que a solução seria retirar as capivaras que, segundo ele, vêm da região da Pampulha. “É difícil conviver com esse surto da doença”, disse. Ele ainda conta que frequentemente vê os roedores passando nas proximidades do terreno. “Já vi esse animal demais. Na beirada dos córregos dá pra ver as marcas delas deitadas”.

O receio de que o surto não acabe faz com que o aposentado inclusive pense em mudar da cidade. “Se não acabar com isso eu vou pra Ponte Nova, pois viver com medo não dá. Deixo meus bens aqui e vou pra lá, pois a saúde da minha família é mais importante”, conta.

A infestação de carrapatos tem feito com Edirene tenha medo até de abrir as janelas de casa, já Paulo cogita mudar de cidade (Amanda Dias/BHAZ)

Atendimento à população

Para medicar os moradores da área infestada, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Nacional está atendendo as pessoas que podem ter sido picadas pelo aracnídeo.

Cerca de 260 pessoas já passaram pelo local desde a segunda-feira (3). “O local tem um número muito grande de pessoas, são mais de trezentas que moram no mesmo trecho. Fazemos a triagem para saber se ela teve algum sintoma da doença”, conta a coordenadora da referência técnica do Distrito Nacional, Léia Dias.

Uma das pacientes que aguardavam atendimento era Karen do Carmo Santana, de 24 anos, grávida e com quatro filhos. Ela conta que encontrou carrapato em seu corpo e que está com receio de ter sido contaminada. “Meu marido viu o carrapato nas minhas costas e estou com vômitos. Não sei se é por causa da minha gravidez, mas vim tirar a dúvida”.

Moradores esperam atendimento médico na UBS Nacional (Amanda Dias/BHAZ)

Uma das filhas de Karen, uma criança de 7 anos, teve diarreia nos últimos dias. Isso tem causado temor na família. “Vamos colher o sangue hoje, mas enquanto o resultado não sai, fica o medo. Minha preocupação maior é com minha filha e mãe, pois hoje ela acordou com forte dor de cabeça. Ela tinha muito contato com animal”, relata apreensiva.

Ao chegar na UBS as pessoas passam por uma triagem, conforme explica Léia. “Nesta triagem perguntamos se teve algum contato com o carrapato, se apresentou algum sintoma. Caso isso se confirme realizamos um hemograma. Para aqueles que não se enquadrem damos a devida orientação. O importante é fazer o diagnóstico rápido e entrar com medicação”, conclui.

Karen está com medo de que sua filha e mãe tenham contraído a doença (Amanda Dias/BHAZ)

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