PIB de Minas no primeiro trimestre de 2018 cresce só 0,3% e acende sinal amarelo

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A economia mineira está em alerta. Com um crescimento de só 0,3% no primeiro trimestre deste ano, frente os três meses anteriores, como divulgou ontem a Fundação João Pinheiro (FJP), a retomada da economia dá sinais de enfraquecimento. No último trimestre de 2017 o crescimento foi de 0,8%.

“O crescimento da economia no ano passado se deu pelo crescimento do consumo das famílias, incentivado pelo FGTS, e pelas exportações. São alicerces frágeis que não foram substituídos e sem demanda, a economia não cresce”, diz o professor da FJP, Raimundo de Sousa Leal Filho.

O resultado menor em 2018 foi puxado no Estado, segundo Leal Filho, por dois setores. A indústria extrativa mineral, que teve retração de 4% em comparação com o trimestre anterior e de 16,1% em relação ao primeiro trimestre de 2017, e a queda de geração elétrica no Estado, determinada por Furnas e Cemig para poupar seus reservatórios. O segmento de energia e saneamento caiu 3,6% em relação ao trimestre anterior e 16,4% na comparação com o primeiro trimestre de 2017.

A extração do minério de ferro no Estado foi afetada pela decisão da Vale em priorizar a produção no Sistema Norte, no Pará e reduzir no Sistema Sul-Sudeste, que fica em Minas. A interrupção do Sistema Minas-Rio ocasionado pelo vazamento do mineroduto da Anglo American, em março deste ano também afetou.

“Não temos previsão de mudança na estratégia da Vale, nem do retorno de produção da Anglo ou da Samarco. Isso afeta o resultado mineiro”, explica o analista de estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado (Fiemg), Bruno Maciel.

A boa notícia ficou com a indústria de transformação que cresceu 4,8% nos primeiros meses de 2018, quinto trimestre consecutivo de resultado positivo. “A indústria de transformação vem crescendo graças ao setor automotivo e de máquinas agrícolas”, diz Maciel.

Comparação

Para Leal Filho, “o cenário econômico de alerta não é específico de Minas Gerais. Ele reflete a economia brasileira que também não tem uma retomada consolidada”, avalia.  Já o professor de economia do Ibmec-BH e pesquisador da FJP, Felipe Leroy, lembra que na comparação com os resultados do PIB no primeiro trimestre do ano, Minas Gerais está pior. “É muito preocupante quando avaliamos a importância no resultado positivo do PIB no Estado, a produção de batata. Ainda somos um Estado muito dependente de commodities como o minério, a agricultura e a pecuária”, conclui Leroy.

 

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