‘Vou ser candidato para governar decentemente o país’, diz Lula

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 25, que aceita a indicação do Diretório Nacional do PT para que ele seja o candidato do partido à presidência da República nas eleições deste ano. A candidatura de Lula foi formalizada durante a reunião da Executiva Nacional, na sede da CUT, em São Paulo.

“Mas não estamos sozinhos, temos adversários que vão querer evitar que continuemos andando pelas ruas.” Lula completou que a candidatura só tem “sentido” se a militância for capaz de fazê-la mesmo se ela for indesejada. “É colocar o povo brasileiro em movimento.”

Para Lula, o lançamento da sua candidatura não é só para disputar o pleito. “Vou para ganhar e governar”, disse ele. O petista ainda disse que não está sendo candidato para se proteger da Justiça. “Minha proteção é minha inocência. Vou ser candidato para governar decentemente esse País.”

Ao aceitar sua indicação como candidato, Lula ainda disse que estava criando o dia do “aceito”, em referência ao “Dia do Fico” de D. Pedro. Lula também repetiu que vai à Etiópia nesta madrugada para discutir uma forma de acabar com a fome no continente africano. “Fico por lá por 14 horas e volto.”

Antes, o petista havia dito que a corrupção é uma “desgraça” e o que mais coloca sua honra “À flor da pele”. “A corrupção derruba qualquer político”, disse, citando que até aliados no começo desconfiam dos atos. “Não posso aceitar que um canalha me chame de ladrão”, completou.

Haddad

Durante evento, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad afirmou hoje que foi convocado por Lula para participar de um grupo que vai montar o plano de governo para um eventual terceiro mandato do petista.

Segundo Haddad, o grupo vai começar a se reunir no dia 1º de fevereiro e vai aceitar sugestões de diversos grupos ligados ao partido até o dia 15 de março. “Vamos apresentar ao País o melhor plano de governo que pudemos fazer”, disse o ex-prefeito, que também foi ministro da Educação.

O ex-prefeito de São Paulo disse ainda que não teme os possíveis adversários de Lula na campanha. “Na centro-direita só temos mediocridade”, afirmou. Haddad é apontado como um dos nomes que podem substituir Lula na campanha, caso a candidatura do ex-presidente seja impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Enfrentamento político

Lula disse ainda que não respeitará a decisão da Justiça e conclamou os militantes a defendê-lo nas ruas e pregou o enfrentamento político.

“Esse ser humano simpático que está falando com vocês não tem nenhuma razão para respeitar a decisão de ontem”, afirmou o ex-presidente, em reunião da Executiva Nacional do PT, em São Paulo. “Quando as pessoas se comportam como juízes, sempre respeitei, mas quando se comportam como dirigentes de partido político, contando inverdades, realmente não posso respeitar. Se não perderei o respeito da minha neta de 6 meses, dos meus filhos e perderei o respeito de vocês.”

Lula chegou a se comparar a Jesus Cristo, ao afirmar que ele foi condenado à morte. “E olhe que não tinha empreiteira naquele tempo”, disse. Logo em seguida, porém, o ex-presidente se corrigiu. “Eu sei que a imprensa vai dizer ‘Lula se compara a Jesus Cristo’. Longe disso”.

Com a voz que ficou embargada algumas vezes, o ex-presidente disse que manterá as caravanas pelo Brasil, mas conclamou o PT e os movimentos sociais a ajudá-lo no embate nas ruas. “Espero que a candidatura não dependa do Lula. Que vocês sejam capazes de fazê-la, mesmo se acontecer alguma coisa indesejável, e colocar o povo brasileiro em movimento”, insistiu o ex-presidente.

Vai recorrer

O ex-presidente afirmou que sua defesa vai recorrer “naquilo que for possível” sobre a decisão do TRF-4. “Eles tomaram uma decisão política com o objetivo que eu não volte à Presidência”, disse.

Segundo ele, a decisão unânime dos desembargadores foi para valorizar a categoria dos juízes. “Não consigo outra explicação, porque se encontrassem um crime que cometi, não estaria aqui pedindo desculpas para vocês. O julgamento de ontem foi mais valorizar a categoria dos juízes, o corporativismo do que crime que estava em julgamento, porque não havia crime.” Segundo Lula, os desembargadores construíram um cartel para decisão unânime por 3 a 0 no TRF-4. “Só ontem descobri que era um cartel, tinham que chamar o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)”, disse.

O ex-presidente disse também que está com a consciência tranquila, diferente dos juízes, segundo ele. “Eles sabem que condenaram um inocente. Mas não sofri tanto, porque sempre acreditei que iria ser do jeito que foi. Obviamente que não estou feliz, mas duvido que alguns deles que me julgaram estão com consciência tranquila como estou hoje com vocês.”

 

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