Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou há pouco a transferência imediata da embaixada do país em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. A mudança implica no reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, o que é rejeitado pelo mundo islâmico, que tem na cidade diversos locais sagrados.

No discurso, Trump reforçou que o posicionamento não significa que ele esteja tomando partido de algum dos lados do conflito Israel-Palestina. “Vou fazer tudo o que estiver em meu poder para ajudar em um acordo em Israel. Nos mantemos profundamente comprometidos em conseguir a paz entre os dois lados”, disse o presidente.

A construção da nova embaixada começará o quanto antes, segundo Trump, e contará com “o trabalho de arquitetos e engenheiros para tornar o prédio um monumento pela paz”.

O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel havia sido aprovado pelo Congresso americano em 1995, mas nunca chegou a ser colocado em prática. O texto dá ao presidente americano o poder de adiar a decisão a cada seis meses, sob o argumento de que ela representa uma ameaça à segurança dos EUA.

Desde a aprovação da medida, todos os ocupantes da Casa Branca enviaram comunicado ao Congresso explicando tal adiamento. Em maio, no primeiro vencimento do prazo em seu mandato, Trump fez o mesmo. O novo período de seis meses acabou na segunda-feira, sem que o presidente enviasse a comunicação ao Congresso.

Mudança da embaixada em Israel é promessa de Trump para evangélicos

O reconhecimento Jerusalém como capital de Israel é mais uma promessa de campanha feita por Donald Trump a um dos segmentos mais conservadores de sua base de apoio, os evangélicos brancos, 80% dos quais optaram por sua candidatura na disputa de novembro de 2016. Esse grupo representa um terço dos eleitores republicanos e vê em Israel a realização de profecias bíblicas.

O mais poderoso grupo de lobby nesse terreno é o Cristãos Unidos por Israel, fundado em 2006 pelo pastor John Hagee. “Eu posso assegurar a você que 60 milhões de evangélicos estão olhando para essa promessa de perto, porque se o presidente Trump mudar a embaixada para Jerusalém, ele vai dar um passo histórico para a imortalidade”, disse Hagee na terça-feira (5) em entrevista à rede de TV Fox News.

David Cohen, cientista político da Universidade de Akron, observou que os evangélicos brancos foram fundamentais para a vitória de Trump. “Ele não seria presidente sem esse apoio.” Segundo ele, o grupo é ativo politicamente e registra um alto porcentual de comparecimento às urnas.

A decisão que agrada aos evangélicos brancos conservadores é criticada por todos os demais países do Oriente Médio e por aliados europeus dos EUA. “Trump está repetindo o que fez desde o início de seu mandato, que é jogar para sua base de apoio”, ressaltou Cohen. “Nessa altura, alguém ainda pensa que ele se importa com o que outros governantes acham dele?”

A entidade Líderes Cristãos Americanos por Israel pediu a Trump em maio que cumprisse sua promessa de campanha. Na época, o presidente acabou enviando ao Congresso comunicado que prorrogou em seis meses a transferência da embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém – a medida tem sido renovada desde 1995, quando parlamentares aprovaram lei determinando a mudança.

Na semana passada, eles encaminharam outra carta ao presidente, com o mesmo teor – o novo prazo venceu na segunda-feira. “Isso é importante para nós, líderes cristãos, porque Jerusalém é uma cidade muito significativa na fé cristã, com muitos lugares sagrados. Apenas um livre e democrático Israel protegerá Jerusalém para pessoas de todas as fés.”

 

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