Câmara começa a analisar segunda denúncia contra Temer

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São paulo. A Câmara dos Deputados começa nesta semana a análise da segunda denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer pelos crimes de obstrução da Justiça e organização criminosa. A acusação de organização criminosa é imputada também aos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco.

Por se tratarem de autoridades com foro privilegiado, a denúncia só pode ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal com a autorização da Câmara. A investigação ocorre apenas se dois terços dos 513 deputados votarem em plenário favoravelmente à continuidade do processo.

Antes de ser analisada em plenário, a denúncia deve passar pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara. A primeira reunião da comissão está marcada para terça-feira (10), a partir das 10h, quando está prevista a leitura do parecer elaborado pelo relator Bonifácio de Andrada (PSDB-MG).

O governo vai investir cada vez mais no discurso da “conspiração” para se referir à segunda denúncia. O termo foi aprovado em pesquisas qualitativas que chegaram ao Planalto. Acusado de ter conspirado contra a então presidente Dilma Rousseff, Temer sempre detestou essa expressão, mas hoje recorre a ela para se defender. A tese do “golpe” – antes usada por Dilma – virou agora escudo para o peemedebista.

Segundo interlocutores do presidente, as pesquisas mostraram que as delações da JBS já começam a ser vistas como algo “montado” para derrubar o governo. Diante do resultado, auxiliares passaram a carimbar os críticos do Planalto como integrantes de uma “conspiração”.

Atritos

Intriga. Às vésperas da votação da segunda denúncia contra Temer, as movimentações políticas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), intrigam o Planalto. Desde setembro, quando o deputado acusou uma ofensiva do PMDB e do governo para “atropelar” o crescimento do DEM e participou de jantares com colegas da oposição, a escalada de atritos entre antigos aliados expôs o desgaste no relacionamento.

Mistério. Em conversas reservadas, Temer tem dito que não entende o que Maia quer. Mesmo assim, na tentativa de evitar novos problemas, o presidente pediu a auxiliares que “joguem água na fervura”. A prioridade é evitar mais uma crise no momento em que a Câmara vai decidir o futuro de Temer. Primeiro na linha de sucessão da Presidência e no quinto mandato consecutivo, Maia jura que será candidato à reeleição. Até a cúpula do DEM, no entanto, admite que, dependendo do cenário, ele pode disputar o Planalto.

Presidente se reúne com ministros e líderes de governo

Brasília. A reunião dominical no Palácio do Jaburu entre o presidente Michel Temer, os ministros mais próximos e líderes do governo tratou no domingo (8) da agenda da semana curta, com foco na articulação para que o Congresso vote nesta semana a MP 784, que trata de acordo de leniência envolvendo o Banco Central. Segundo relatos, Temer pediu empenho nas articulações.

O presidente previu que nesta semana não conseguirá repetir a romaria de receber parlamentares, já que muitos deixarão Brasília. Apesar disso, ainda não traçou estratégias de agendas externas.

Na conversa, Temer quis saber sobre os andamentos dos trabalhos na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e foi avisado que talvez a leitura do parecer do deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG) pode ficar apenas para depois do feriado. Segundo relatos, Temer se mostrou tranquilo quanto aos andamentos da denúncia contra ele e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretária Geral).

Estiveram no Jaburu com Temer, além de Moreira e Padilha, o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o líder do governo no Congresso, André Moura, e na Câmara, Aguinaldo Ribeiro.

Segundo a jornalista Andréia Sadi, da Globonews, o ministro do Planejamento foi chamado porque Temer quer acelerar a liberação das emendas parlamentares impositivas para atender a deputados da base aliada.

 

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